Rastaman Wheel Out

Quem se lembra da minha postagem Rockers Style (Que é, por sinal, uma das melhores do Ubora)? Pois então. Eu achei que nunca veria uma manifestação atual fazendo referência a esse período, até ver esse videoclipe com cara de curta metragem do músico jamaicano Chronixx. Como já disse em postagens anteriores, esse efeito retrô é um fenômeno recente dentro da cultura afro-diaspórica. Não que, de fato, esteja rolando um revival do período setentista vivido na Jamaica, mas só de existir um bom artista que relembre esse período musicalmente e esteticamente já abre caminho para que outras pessoas conheçam, não deixando essa fase cair no esquecimento.

Quem já assistiu ao filme Rockers, de 1978, vai perceber logo de cara que o músico não quis apenas homenagear, mas fazer sua própria versão do filme. Chronixx faz as vezes de Leroy “Horsemouth” Wallace – o carismático protagonista de Rockers -, se metendo em problemas parecidos com os que ele se mete ao longo do filme. A canção tema faz parte do álbum “Dread & Terrible”, lançado em abril.

Ubora Podcast: R&B oitentista

E sai o primeiro podcast do Ubora!

Resolvi falar sobre um período musical que eu antes odiava, depois passei a amar e a odiar, mas agora amo muito mais do quê odeio (Embora ainda odeie um pouquinho): o R&B da década de 1980.  São pouco mais de 40 minutos não só de música, mas de muitos comentário feitos por mim sobre as músicas e sobre essa década intrigante. É isso!

Acessem o Podcast neste link: http://soundcloud.com/uborablog/podcast-r-b-oitentista

rick jjames

O Maranhão é a Jamaica Brasileira

Maranhão é uma terra de mistérios. Digo, mistérios para um paulistano como eu, que pensa que em São Paulo existe de tudo. Quando vi no youtube um show do Ken Boothe cantando no Maranhão fiquei desacreditado. Com o Dennis Bovell foi a mesma coisa. Ken Boothe é um cantor que está na ativa desde a década de 1960 e não é um astro idolatrado pela massa regueira “comum”. Assim como não é Dennis Bovell. Mas, no Maranhão, seus shows lotam. E esses caras sequer passaram por São Paulo. Aprendi que São Luís do Maranhão é “a capital brasileira do reggae” vendo um show da Alcione. Me intrigou mas não dei importância, nem procurei saber. Maranhenses dizem que lá é a Jamaica brasileira. Quando conhecemos um pouco dessa história fica difícil discordar.

As teorias mais prováveis apontam a chegada do reggae no Maranhão já no início da década de 1970, pouquíssimo tempo de sua criação. Alguns dizem é que os discos eram trazidos por marinheiros da Guiana Francesa, que os trocavam por outras mercadorias, mas essa é apenas uma das teorias. O fato é que o gênero tomou de assalto as ruas de São Luís e, em seguida, dominou as rádios. O povo sentiu e reconheceu a origem africana comum no som e o adotou como seu. Tão seu que nas terras maranhenses é comum dar o reggae como par, juntinho.

Um documentário de 15 minutos, gravado no ano de 1990, explica muito bem como o reggae bate no coração do povo maranhense. Assisti-lo é obrigatório:

Estilo negro?

Em novembro e dezembro participei de dois debates relacionados à estética afro-brasileira. O primeiro aconteceu no evento Caldeirão do Negão e o segundo na semana da Feira Preta. Nos dois, pelo pouco tempo disponível não foi possível transformar um encontro num real debate, onde seria discutido o que é o estilo negro e a moda afro-brasileira. Como nos dois eventos não pude expôr a maioria das coisas que penso sobre o assunto, resolvi fazer essa postagem.

Hazel Scott

A interrogação no título da postagem não é a toa. Como seria possível definir um estilo negro se existem tantos? O primeiro erro ao tentar fazer uma análise sobre o assunto está em limitar o que é - ou o quê é entendido como - a estética negra. O blog vai na contramão disso, aliás. Vulgarmente a estética negra é divida em duas partes: as roupas da cultura Hip Hop (Calças largas, tênis de basquete, camisetas largas etc) e o conjunto de roupas entendidos como autenticamente africanos, compostos por batas e turbantes, geralmente feitos de tecidos com padronagens africanas coloridas e peles de animais (Padronagens que muitas vezes não são nem africanas, peles de animais que sequer existem na África, como os tigres). A primeira é apresentada como o lado urbano e moderno, a segunda como tradicional e carregada de sentidos ligados às tradições africanas e afro-brasileiras (Religião, comida etc). É importante frisar que isso não é apenas acaso, mas sim uma face do racismo, a que quer limitar e caracterizar o negro a partir de visões externas (Não as do próprio negro), ignorando a amplitude da cultura negra na diáspora. Vai um trecho de uma entrevista de Mano Brown para a revista Rolling Stone, que acho bem pertinente:

“O rap não pode ser limitante. O negro já tem tantas limitações no Brasil, tantas regras e o rap ainda te põe mais cerca. Não pode isso, não pode aquilo.”

Martha and the vandellas 1966

O paralelo que pode ser feito entre o assunto tratado aqui e a frase de Mano Brown é perfeito. O rap é visto como um gênero limitado em assuntos. Quem foge desses assuntos é visto como “vendido”, como quem “traiu as origens”, que “não fala sobre a realidade” e outras denominações difamatórias. É uma visão tão limitada que ignora a própria trajetória do rap, sempre tratando de temas variados desde o seu início. Quem faz rap com estética e temática dançante também é criticado, visto como alguém alienado aos problemas que cerca a vida do negro e periferia. Argumento muitas vezes justificado com um verso da Facção Central: “Não canto pra maluco rebolar / meu som é pra pensar / pra ladrão raciocinar”. Então ignoremos Afrika Bambaataa, Kurtis Blow. E rejeitemos Marvin Gaye, James Brown, Stevie Wonder, Sam Cooke. Afinal, a música verdadeira e “não-vendida” deve falar sobre um número limitado de temas, sempre contestadores, e não pode ser feita para dançar. Mesmo que haja espaço pra tudo na amplitude da cultura afro-diaspórica e mesmo que a luta das décadas passadas tenham sido embalada por músicas dançantes, a maioria sem temas contestadores. Com a estética é a mesma coisa: é adotada uma visão limitante que ignora uma história cheia de exemplos contrários a essa visão. Exemplos que destroem essas limitações com a maior facilidade.

Esse assunto acaba caindo na discussão sobre o que é a moda afro-brasileira, e a moda afro-brasileira leva àquela famosa discussão sobre a busca da identidade brasileira na moda. Eu considero um assunto chato. Primeiro porque o Brasil é muito grande e diverso pra tentar achar uma ou algumas identidades. Segundo porque as identidades brasileiras estão bem definidas e por aí, pelas pessoas que estão pelas cidades. Qual a necessidade da representação disso nas passarelas para nos certificarmos que essas identidades existem? Qual a necessidade de ter aval dessas autoridades da moda? Autoridades brancas e de classe média, que nunca vão reconhecer que a verdadeira identidade do jovem paulistano – da maioria deles, pelo menos – é construída por jovens pretos e/ou periféricos. E que ela é composta por óculos espelhados da Oakley, camisetas da Ecko e da Ed Hardy, polos listradas, boné de aba-reta e meia na canela. Por calças apertadas da D&G, shorts curtíssimos e tênis de academia. As marcas quase sempre falsificadas. Que perturbam o sossego não só quando vão fazer o famoso rolezinho no shopping (Encarados como arrastão, mesmo se nada for roubado), mas também quando passam de carro e trazem junto uma voz acompanhada por uma percussão africana característica, com o volume no máximo. É a realidade versus a fantasia. Fantasia, obviamente, representada pelo mundo da moda. Não é por acaso que a maioria dos sites de street style de São Paulo se limitam a fotografar transeuntes da Rua Oscar Freire, Rua Augusta (Sempre sentido Pinheiros) e grandes festivais de rock. Para os que não conhecem eu explico: a região citada possui uma grande concentração de marcas de luxo, frequentadas por pessoas ricas e pela classe-média descolada. Não querem enxergar e muito menos exibir o universo que existe além de seu limitado campo de visão. Criam representações limitadas – diria até representações falsas – de um povo, assim como fazem os comerciais de TV.

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Essas pessoas, que estão no comando dos meios de comunicação e grandes empresas, nos vêem de forma caricata e limitada. Em seguida, nos repassam essa imagem, como se fossemos aquilo e apenas aquilo. Combater isso é importante pois não só muda a imagem que os outros têm de nós, mas principalmente a imagem que temos de nós mesmos e dos que são iguais a nós. Depois de repetir a palavra “definição” e suas variantes tantas vezes ao longo do texto, vou compartilhar a definição pessoal que tenho sobre o assunto: estilo negro é tudo o quê o negro usa em seu contexto e atribui um significado. Atribuir um significado não é teorizar sobre suas roupas, mas sim fazer com que elas e a forma como elas são usadas, sejam relevantes em seus dias. Seja a forma como Muddy Waters e Little Richards usavam seus cabelos e ternos, seja como Kathleen Cleaver e Angela Davis usavam seus cabelos e casacos, seja Sly Stone, Peter Tosh, Arlindo Cruz, Laurel Aitken, Nelson Triunfo, Pharrell ou Rihanna. E espero que o Ubora contribua não só como fonte de conhecimento, mas também para ajudar na mudança de imagem que temos sobre nós mesmos.

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Conselhos gerais

O famoso passo-além na questão de se vestir que eu sempre comento – e sempre comentarei – é entender que isso é muito mais do que colocar um amontoado de peças legais no mesmo corpo. Um jeans de 5 bolsos, sem lavagem, que teve a cintura e os quadris ajustados por um alfaiate e que está no comprimento certo provavelmente vai parecer muito melhor do que um belíssimo jeans diferentão que você usa do jeito que veio, se você já tiver um olhar apurado. Primeiro é necessário saber o quê te agrada verdadeiramente, porque nem tudo o quê a gente admira por fotos é o quê nos deixa confortável mentalmente quando usamos. Certos visuais servem apenas como inspiração “abstrata”, não como inspiração literal, como se você realmente quisesse se vestir daquela forma. Das inspirações literais, aquelas que você olha e pensa “porra, quero me vestir como esse cara”, você tira as informações relevantes: o tipo de calça que o sujeito usa (Corte, ajustes, comprimento da barra), o tipo de camisa e camiseta (Corte, tipo de gola, tamanho das mangas), calçados e acessórios usados.

Estilo próprio? Pra quê? Nada surge do nada, ninguém é absolutamente único, precisamos sim de ícones que nos servem como bússola. Não vejo motivos para encanar com isso. Aliás, acho que é necessário se inspirar de forma direta mesmo, tentar absorver o máximo do estilo de alguém que admiramos. Depois de estudar e compreender a lógica da pessoa ao se vestir (Considerando que é alguém que sabe o quê faz) é que temos a capacidade de variar e inserir novos elementos, mudar certas coisas e adaptar ao nosso tipo de físico. E falando em tipo físico: musculação importa, porque dá proporcionalidade ao corpo (Se você se esforçar pra isso) e te faz “preencher” melhor as roupas. Inevitavelmente as roupas começam a cair muito melhor. Se seus ícones inspiradores são norte-americanos, repare em seus corpos e chegará a essa conclusão. O pessoal de lá dá justa importância à construção corporal.

É importante não cair em genéricos. Se você procura um bom chapéu, vá direto à fonte: uma boa e tradicional chapelaria. Se procura um bom sapato, esqueça as lojas genéricas do shopping. Se quer um corte de cabelo igual ao do Big Daddy Kane, deixe crescer, leve uma foto ao cabeleireiro da sua quebrada e peça o corte sem “mais ou menos”, sem amenizar. Para dar certo, as coisas não pode ser diluídas para ficar mais discreto ou algo do tipo, tem que ser feitas do jeito que devem ser feitas.

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Para ilustrar melhor o que eu disse, vou me usar como exemplo e comentar um pouco das minhas preferências. O blog reflete as minhas preferências estética, afinal, eu preciso escrever sobre o que gosto e, consequentemente, tenho algum domínio. Eu tenho preferência pelo mais tradicional, o clássico e atemporal. Já não tenho mais idade pra me prender a modismos, embora eu também me interesse por algumas coisas atuais e incorpore o que me é conveniente. O estilo dos jamaicanos na década de 70 e 80, o Ivy League style, o estilo urbano dos afro-americanos do início da década de 1970 e os estilos urbanos da Inglaterra são os que mais me influenciam, já que estão diretamente ligados ao meu estilo de vida.

Camisas com colarinho button-down (Com botões nas pontas), bem altos, ao estilo década de 1960, são as minhas preferidas. Prefiro as brancas ou coloridas de um xadrez tradicional (Tartan ou gingham), como as mais clássicas da Ben Sherman ou Mikkel Rude. Sempre para dentro da calça, assim como as polo (Brancas simples, com elástico nas mangas). Mangas curtas, quase sempre. Quando possuem padronagens paisley, floridas ou estilo africanas, prefiro um colarinho sem botões, assim como no caso das camisas feitas para se usar para fora da calça (De flanela, jeans ou de algodão bem molinho, como as guayabera).

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Calças jeans com os quadris e cintura devidamente ajustadas por um alfaiate. O comprimento varia e é aí que está a malandragem do negócio, a importância de conhecer. Um jeans sem lavagem de corte slim (Ajustado ao corpo), que prefiro usar com loafers e brogues, por exemplo, termina ainda na canela (Uns 3 ou 4 dedos antes dos pés), deixando expostas as meias que estou usando. Algo mais sessentista. Já a minha calça raw selvedge, de corte reto (Ao estilo Levi’s 501), eu só uso com a barra dobrada. Ou seja, o comprimento dela precisa ser maior do que o do jeans slim, para conseguir dobrar duas vezes e não ficar muito curta. Nas calças skinny (Bem justas), que não gosto que fiquem muito curtas, o comprimento varia. Algumas são mais compridas pois só uso com barras dobradas, outras mais curtas pois não dobro as barras. Uma calça de veludo, por exemplo, eu não acho que fique bem com barras dobradas. E não gosto desse tipo de calça num corte reto, prefiro algo mais ajustado. Então, se comprasse uma, mandaria acertar o comprimento como o do jeans slim, uns 3 ou 4 dedos antes dos pé. Chino, assim como as jeans, são versáteis e ficam bem dobrando ou não dobrando as barras, por isso pode variar. Já as “smart trousers” ficam péssimas dobradas, então precisam estar sempre no comprimento certo. Cintura alta é regra, pra mim.

Prefiro sapatos a tênis. Gosto de brogues, especificamente os longwings (Não gosto de wingtips). Derbies lisos, tassel loafers e botas de variados tipos me agradam. Não sou mais fã de docksides. Tenho preferência por sapatos mais agressivos e solas grossas, docksides são muito “soft”. Justamente pela agressividade, me agradam os variados sapatos Doc Martens. Os modelos de tênis que mais gosto são running ao estilo década de 1970, mas os de cano alto também tem algum espaço na minha vida, de vez em quando.

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Jaquetas varsity, jeans, bomber, harringtons e outras: devem terminar antes de chegar à bunda. Mas também tem as compridas, como as parkas e outras jaquetas militares, além das working jacket. As mangas nunca devem cobrir as mãos, por isso o comprimento deve estar certo e devidamente ajustado ao punho (Principalmente se tiver elástico nas mngas). Coletes, suéteres, cardigans etc prefiro os bem colados ao corpo, que terminem antes de chegar na bunda. Colete de alfaiataria só com terno. Óculos escuros da década de 1960 me agradam bastante. Meias de algodão, das mais variadas cores, mas nunca as esportivas.

Os gêmeos Joachim ilustram a postagem toda. Os escolhi porque eles mostram um estilo possível ao homem normal. À exceção das gravatas, acredito que o estilo deles define muito bem a possibilidade de um refinamento estético – o passo-além – dentro de um contexto urbano, do cara normal, que realmente anda nas ruas. Opções que vão além da combinação jeans e camiseta. Misturando camisetas e smart trousers, jeans e camisas, jeans e loafers, toucas, coletes, tênis certos… Tudo de uma maneira bem interessante. Acho que, independentemente do estilo que você gosta, eles conseguem representar muito bem o quê eu quis dizer nessa postagem e servem de inspiração pra qualquer um.

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Jazz Dance, UK Jazz Dance e o Passinho do Funk Carioca

uk jazzA curiosidade, ao assistir videoclipe de “Free Nelson Mandela” do The Specials, brotou inevitavelmente. Um grupo de caras dançando ao som afro-caribenho de forma totalmente diferente do que eu já tinha visto antes. Primeiramente pensei que fosse uma dança jamaicana, já que o clipe se passa na Inglaterra e o som da banda ser reggae/ska, mas logo vi que não. Fui atrás e vi apenas uma pessoa, em um fórum, chamando aquilo de “bop”. Deduzi que fosse algo relacionado ao jazz e foi tiro certo. Se tratava do UK Jazz Dance, um estilo de dança surgido na Inglaterra no final da década de 1970, que revivia o antigo jeito de se dançar jazz. De forma improvisada e num contexto moderno, como era o breakdance. Haviam várias crews, que competiam e dançavam juntas, pela ruas e clubes das cidades. O bebop, o swing, jazz funk e fusion em geral (Incluindo fusões com o samba) rolavam nos toca-discos junto com a disco e soul music da época e eram a trilha sonora dos garotos. Os passos eram os mesmos que os americanos fizeram na década de 1920 à década de 1950, mas organizados de forma diferente. Em 2006, Esperanza Spalding deu uma declaração dizendo que queria recuperar a relevância do jazz nas ruas e pra juventude negra na diáspora, pois em sua raíz o jazz é música para dançar e extremamente cotidiana, embora tenha sido cooptado por gente que busca a sua elitização. Embora não tenha relação direta e tenha sido dada 20 anos após o auge do UK Jazz Dance, a declaração muito pertinente e tem tudo a ver com esse fenômeno.

O grupo que dança no videoclipe acima é o IDJ (I Dance Jazz), um dos melhores e mais conhecidos grupos da época, ao lado do Brothers In Jazz. O visual dos grupos variava entre algo contemporâneo da época (Como no vídeo acima) e ternos ao estilo da década de 1940 e 1950, principalmente os zoot suits, na maior elegância. A apresentação do vídeo abaixo dos Brothers In Jazz num programa de TV ilustra bem a diferença:

Apesar desse estilo de dança não ter muito espaço nos dias de hoje, alguns campeonatos e festas continuam acontecendo pelo Reino Unido. Em alguns lugares da Ásia, como Japão e Coréia, várias crews se dedicam às competições e apresentações de UK Jazz Dance. Esse vídeo do coletivo LETZDANCE é muito bom de se apreciar (E útil, para quem quiser aprender):

Os estilos do jazz das décadas passadas foram a base para o que era dançado no rock n’ roll (Lembrando sempre que o rock n’ roll como música e como dança são criações afro-americanas, se tratando apenas de um subgênero do R&B antigo), soul music, funk e, posteriormente, na break. De 5 anos pra cá, uma dança surgida no Rio de Janeiro dominou o cenário do funk carioca. O famoso “passinho”, que surgiu diretamente da forma como se movimentavam os pés nos bailes black da década de 1970 e 1980, aqui no Brasil. Essa forma de dançar veio do jazz. Observando os vídeos de passinho, que eu aprecio bastante, percebi que praticamente todos os passos usados inicialmente pareciam vindos diretamente da primeira metade do século passada, usando poucas das inovações criadas nas eras do soul, funk e break. Posteriormente outros elementos, como o robot - a famosa “dança do robô” – surgido no soul e popularizado no breakdance, foram incorporados. Mas a base do passinho continuou a mesma.

O passinho do funk é a forma brasileira e moderna da dança jazz, mais especificamente do estilo charleston. E por que isso seria pretensão falar isso? As duas expressões surgiram de um povo com a mesma origem e em contextos semelhantes. Os que tentam elitizar a cultura popular antiga e menosprezar as formas modernas de expressão surgidas na periferia terão de engolir isso a seco. A música negra na diáspora sempre se comunicou de forma intensa, mesmo que o contato fosse pouco ou nenhum. As coincidências ocorridas nas expressões musicais negras em todo o continente americano mostram isso. Na dança e outras formas de expressão não poderia ser diferente. As semelhanças musicais entre o choro e o jazz. As semelhanças entre a forma de se dançar o samba e o sapateado norte-americano. Tudo veio de uma matriz, mesmo que misturado entre centenas de culturas africanas diferentes umas das outras. É improvável que os primeiros garotos cariocas a desenvolverem o passinho tenham tido contato direto com os estilos de dança do jazz, levando em consideração que isso não passa nem perto de ser popular no Brasil. Sendo uma dança surgida na favela, colocada à margem de tudo, a possibilidade de algum contato se torna ainda mais improvável. Mesmo que as influências para o passinho tenham bebido de outros gêneros, o resultado final é esse puro jazz que vemos. A comunicação aconteceu.

Essa frase virou um clichê meu: as imagens mostram muito mais do que eu poderia explicar. Al & Leon, duo norte-americano de jazz que começou na década de 1930, se apresentando em um programa de TV (Já na década de 1950) dançando o estilo charleston. Não sei se irmãos ou pai e filho, o que sei é que um é a cara do outro.

As pernas de James Brown

James Brown usava algumas das calças mais apertadas da década de 1960. Em suas apresentações de meados da década de 1960, quando se apresentava ao lado do trio The Famous Flames (Que o apoiava nos vocais), o contraste das calças de James e dos integrantes do grupo era gritante. Mais apertadas e um pouco mais curtas. O porquê eu percebi um tempo depois: os passos alucinados e ultra-velozes do mestre precisavam impressionar e aparecer claramente. Nada melhor do que calças que acompanhavam melhor a silhueta da perna. No geral, as roupas de James Brown durante esse período eram mais ajustadas do que a média dos homens da época, mesmo comparado a outros artistas.

O quê isso tem a ver com a postagem? Pouca coisa. A verdade é que eu estava sem idéias e queria compartilhar isso. Mas talvez tenha a ver com a próxima postagem. Vamos ver. E eu queria, também, compartilhar algumas das imagens sensacionais e inspiradoras da década de 1960 e 1970. É isso.

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