Homens de antigamente

Um antigo mestre de capoeira, numa entrevista a um canal de televisão, foi questionado acerca das roupas que estava usando. Ele, já no alto de seus oitenta e poucos anos, respondeu um pouco exaltado: “Ora! Eu sou um mestre de capoeira. O sujeito tem que andar alinhado!”, ressaltando a palavra “alinhado”. Certamente, o velho malandro vestido à moda da velha malandragem, com seu blazer claro desestruturado, camisa e chapéu, deu a resposta que o entrevistador não esperava ouvir. Como um entusiasta das artes marciais e praticante, tenho muita admiração pela forma como os mestres costumam lidar com a questão do respeito e a manter as belas tradições antigas.

Eu gosto de como as coisas eram feitas antigamente. Também gosto da masculinidade “clássica”. Muitas coisas antigas parecem muito mais modernas do que as de hoje. Em vários sentidos. Mas, falando em vestimenta e os conceitos que giram em torno dela, parece que regredimos muito em relação ao que existia na década de 1940 ou 1970, pelo menos aqui na América. Miles Davis, na década de 1950, chegou a proibir alguns de seus músicos de subirem ao palco enquanto estivessem tão mal-vestidos e desleixados (E deu algum dinheiro para que comprassem ternos decentes), porque mostrava que eles não estavam dando  importância à determinada ocasião. Enquanto as mulheres conseguiram avanços no que diz respeito ao seu papel na sociedade, os homens deixaram de lado a elegância e vários bons valores porque acham que “isso é coisa de mulher”. Como se estivessem acima disso e fossem muito bons pra precisarem se preocupar com isso.

As coisas precisam mudar. Mas é preciso conservar as boas coisas. As vezes, elas são eliminadas das nossas vidas como se fossem algo ruim, só por causa dessa busca obsessiva por coisas novas, pela mudança. Como ouvinte e músico, aprendi algo importantíssimo e que levo pras outras áreas da vida: a boa música supera a necessidade de inovação. Os “guias” de moda masculina, sejam eles impressos ou online, vivem falando de modernizar, atualizar, mudar etc. Eles passam a impressão de que pra se vestir bem você precisa estar ligado em lançamentos e tendências, senão, vai acabar se tornando um desatualizado fora-de-moda. Mas, ao mesmo tempo, dizem que você deve buscar o seu estilo próprio e não ser um escravo da moda. Minha recomendação é a seguinte: não se guie por esses guias. Não há como evitar as mudanças. Até quem achou e se firmou num estilo que condiz com seus gostos e forma física – e olha que isso demora um bom tempo – está sempre retirando elementos e adicionando novas opções à sua caixa de idéias. Mas o que é fugaz, geralmente, não é bom. Observem os homens de antigamente.

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2 respostas em “Homens de antigamente

  1. Os homens de hoje se preocupa em se vestir de acordo com a vibe atual, um exemplo foi o hype do jeans skinny, no qual, todos insistiam em usar: pessoas com pernas grossas, pessoas baixas ou até mesmo gordos. Os “Guias” de moda masculina fazem as pessoas sentirem a necessidade de mudar o seu guarda-roupa com mais frequência. Em alguns casos, por dia. É assustador.
    Para se afirmar no visual atual, eu por exemplo, ampliei o repertorio cultural para adicionar opções à caixa de idéias e ir mudando. Falando sobre homens de antigamente, antes de se transformar em um George Clinton II, Lee Perry, tinha um visual muito foda, cercado culturalmente pelo Rocksteady investia essa cultural no visual. Pra mim, um dos melhores.

  2. Mas por um lado a ascensão dos guias de moda da internet são um bom sinal de que as pessoas tem buscado informação. Acho que nós homens estamos ficando mais a vontade para nos preocuparmos com a aparência. A galera está tentando tirar o atraso mas não sabe por onde começar.

    Mas para cada 1.000 pessoas ruins na internet existe um Bernard Roetzel ou um Glenn O’Brien dando dicas muito pertinentes!

    Assista Metropolitan!

    “- You haven’t seen this? Detachable collar.
    - Not many people wear them anymore. They look much better.
    - So many things which were better in the past have been abandoned for supposed convenience”

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