Levi’s Vintage Clothing (Outono/Inverno 2013)

Nutro uma admiração pela divisão Vintage da Levi’s por que as roupas que fazem realmente parecem as de antigamente. O corte, o tecido e cores escolhidas. Pelo preço, acredito que a construção seja de excelente qualidade, também. Os ensaios da marca sempre me chamaram atenção, porque além das ótimas peças, eles conseguem captar a essência do antigo através de suas fotos. É aquele vintage que convence pela construção, não pelas marcas de desgaste e amarelados meticulosamente calculados, feitas na fábrica de roupas, para dar um ar de coisa antiga.

Esse ensaio em especial me chamou muito a atenção, não só pela temática, mas pelo capricho em retratar um período muito específico na história da música negra norte-americana. De forma precisa, ele capta a atmosfera do que se passou entre os anos de 1968 e 1970 na soul music. Foram os anos que existiram entre a “Era do terno” e a “Era da fantasia extravagante”. Foi o período que antecedeu as grandes calça boca-de-sino, plataformas e cabelos afros gigantesco. Tão caprichado que colocaram até cenas de um dos personagens trabalhando numa fábrica. Vários músicos da soul music trabalhavam como peões em fábricas antes de conseguirem se sustentar só da arte.

Inspirador pra quem vai curtir as fotos ouvindo Otis Redding e imitar o visual depois, porque nada daquilo ali é datado. Estilo sem prazo de validade. Quem curte o antigo e tem bala na agulha pra comprar as peças, como certeza vai fazer um bom negócio.

(A maioria dos sites tem relacionado esse ensaio à Motown Records, o que não acho legal. Apesar de ter sido a mais importante gravadora da época e a mais icônica, onde muita coisa importante surgiu, vale lembrar que ela não era a única grande gravadora da época. Boa parte das mudanças musicais do soul e funk music não surgiram dentro dos estúdios da Motown. Quando falamos desse período histórico da música é importante falarmos da cena em geral, não de empresas.)

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Quero ser como Melvin Van Peebles

Melvin Van Peebles é um diretor de cinema, nascido em 1932. Dirigiu e estrelou o filme “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”, de 1971, seu principal filme, um marco na história do cinema independente. Quebrou todos os recordes de bilheteria e popularidade de um filme independente. O Black Panther Party considerava Sweetback’s uma espécie de filme obrigatório para seus membros. Huey P. Newton dizia que este era um filme verdadeiramente revolucionário, feito por negros e para negros.

Mas eu não sou diretor de cinema. Quero ser como o cara porque, além de um mestre, é um verdadeiro casca-grossa. Um bom cabelo, um bom bigode ou barba. Era bastante musculoso. Tem um ótimo relacionamento com seu filho Mario Van Peebles, também diretor de cinema. Não é um velho tentando ser descolado: ele é o que é e soube envelhecer mantendo o seu estilo. Muitas vezes usa as mesmas peças que usava quando era mais novo, hoje já surradas pelo tempo. Não é difícil ver nas fotos atuais o velho usando a mesma jaqueta biker e a mesma camiseta de moletom “Rated by an all-white jury” em que aparece nas fotos da década de 1970. Os mesmos bonés, também. Não sei dizer precisamente quando foi feita, mas sei que em 1971 o cara já tinha tatuagem no pescoço, algo absolutamente incomum para a época. Compositor. Já velho, seus óculos redondos viraram uma marca característica. Desde o início dos tempos acompanhado por um charuto. Quero ser baadasssss como ele.

melvin van peebles 3 melvin van peebles 1965 Action_FM.qxd Portrait of Melvin Van Peebles, circa 1990. Courtesy Photofest. melvin van peebles 4 melvin vans peebles 6 melvin vans peebles 7 melvin vans peebles 5

A Band Called Death

Punk antes do punk existir. Eu lembro que descobri essa banda em 2010 através de uma matéria e fiquei em choque. A palavra certa não é “pioneiros”, mas “visionários”: três rapazes fazendo um punk já amadurecido antes do punk existir. Antes dos Ramones, antes de Sex Pistol ou The Clash. Antes de tudo. Não foi só eu quem ficou em choque com a sonoridade desse power trio. Quem ouviu, ficou. Por isso mesmo resolveram produzir um documentário sobre a breve trajetória da banda, que durou apenas 5 anos, de 1971 a 1976 (Fala também sobre sua volta, em 2009). O primeiro álbum do Ramones, grupo que definiu o que seria a sonoridade do punk rock, foi lançado em 1976. Mas, em 1974, o Death já havia atingido uma sonoridade mais amadurecida do que os Ramones conseguiram em 1976. Eles estavam a frente de seu tempo. “…For the Whole World to See”, lançado em 2009, é uma coletânea das canções remanescentes de um álbum gravado em 1974, mas que nunca chegou a ser lançado. O reconhecimento veio tarde, mas veio.

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Sam Lambert, Shaka Maidoh e as inspirações realistas

Era para ser uma postagem só sobre o Sam Lambert, já que o estilo do Shaka Maidoh não me agrada muito. Para diferenciar um do outro, a descrição não poderia ser mais  óbvia: Sam Lambert é o mais baixo e Shaka Maidoh é o mais alto. Mas uma missão-quase-impossível é encontrar imagens de um sem o outro. Certo, não é pra tanto, mas na maioria dos casos, os dois estão juntos. Quem navega pelos blogs de streetstyle e pelo tumblr, com certeza já se deparou com as fotos dos sujeitos andando pela rua. Nos últimos tempos, eles encabeçaram um projeto chamado ART COMES FIRST, um coletivo de designers que colabora com marcas, faz vídeos e desenvolve seus próprios produtos (Como os chapéus que eles costumam usar).

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Em postagens como essa, em que o objetivo é inspirar a quem lê o blog e não falo sobre processos culturais/históricos, eu não tenho muito o quê falar. A regra que uso nessas postagens e sempre repito por aqui: a imagem fala muito mais do que eu conseguiria falar. Na maior parte dos casos, Sam e Shaka estão usando blazers, gravatas e outras peças de alfaiataria, geralmente de uma forma não muito ortodoxa. E eles são bons nisso, mas as fotos que mais me agradam são as em que eles estão usando roupas mais casuais. Uma pena que não existam tantas fotos para ilustrar o que estou dizendo. Apesar de também existir o “fator gosto” envolvido nisso, dou preferência aos visuais mais casuais no blog quando o assunto é inspiração por razões práticas: é a roupa que a maioria das pessoas usam, na maior parte das situações. E eu escrevo pra gente comum. Não escrevo para fashionistas – e, se um dia eu começar a fazer isso, podem mandar me matar – e nem para a elite, seja a elite que for. Até porque, tendo um blog afrocentrado em que as inspirações são negras e levando em consideração que estamos no Brasil, eu não conseguiria fazer isso nem se eu quisesse. Escrevo para caras como eu e meus amigos, que não ocupam grandes cargos em grandes empresas, não tem necessidade e não participam de muitas situações em que seja necessário usar uma variedade de ternos, por exemplo. E também escrevo para quem não tem grana para ter uma variedade de bons blazers, sapatos sensacionais ou outras peças de altíssima qualidade. Apesar de constantemente aparecerem por aqui sapatos e outras peças que estão fora da realidade da maioria, o meu objetivo é que eles sejam vistos como objetos de inspiração, não como os objetos certos para o consumo. Quem tiver dinheiro para comprar um desses, que compre, porque vale a pena. Quem não puder, que seja feliz com um genérico.

Sem exclusões, quero que pessoas de todos os tipos apareçam aqui em busca de inspirações. E espero que encontrem. Não falo especificamente sobre as peças caras ou de alfaiataria, que tanto gosto. A questão é a realidade em que vive a maioria das pessoas. Enquanto os blogs brasileiros de moda masculina com aquela visão fashionista e feminina dizem pra você sair “arrasando” com a tendência legging masculina, eu – além de não recomendar por achar ridículo – tenho noção de que isso só serve pra quem não vive a realidade do cidadão normal. Recomenda uma peça dessas, na mentalidade “use o que você tem vontade de usar”, quem mora em bairro de rico e só anda de carro. Alguém que mora na periferia, pega ônibus e metrô se arriscaria a circular diariamente pelo bairro usando uma legging masculina? Mesmo que quisesse – e por questões estéticas espero realmente que ninguém queira -, é algo fora de cogitação para quem pretende preservar sua integridade mental e física. Keep it real, bredda.

Nessa, especialmente, Sam e Shaka estão geniais.

Nessa, especialmente, Sam e Shaka estão geniais.

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O coletivo Art Comes First.

O coletivo ART COMES FIRST.

Nas & Damian Marley – Patience

De 2008 a 2010, Nas e Damian Marley se reuniram para gravar as músicas do álbum “Distant Relatives”. Além de um dos álbuns com temas politizados mais relevantes dos últimos tempos, pra mim também é um dos álbuns de rap mais agradáveis de se ouvir que foram lançados nos últimos anos. De forma totalmente afrocêntrica, as músicas falam sobre ancestralidade, maravilhas e problemas do continente negro e a diáspora. E quando uso a palavra “falam”, não me refiro só ao significado das letras, mas da música, do contexto geral dos sons. Falo do conjunto sonoro que se ouve, tudo em um só plano. Aqui, “Patience”, a melhor do álbum, que ganhou um belo videoclipe. Música que eleva.