The Gang Phenomenon (Ebony Magazine, 1967)

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Edição de agosto de 1967 da revista norte-americana Ebony. Reportagem sobre a vida dos membros de gangues da zona sul de Chicago. Mighty Blackstone Rangers, Vice Lords, Cobras, Imperial Pimps, Warlocks Rangers. As gangues sempre foram um meio de fugir do desemprego e das frustrações. É nelas que os jovens conseguem um modo rápido de ganhar notoriedade, através do dinheiro e do medo imposto aos “civis” e membros de outras gangues. Desde pequeno assisto a filmes que retratam a vida dos membros de gangues, pois meu pai sempre teve o costume de ver. Por causa do meu velho, cresci fascinado por filmes que mostram esse lado da cultura norte-americana, que costumam se diferenciar um pouco das gangues que surgiram em outros países pois a maioria tem uma orientação étnica. Ou seja, boa parte das gangues têm um lado cultural baseado em fortes ligações com o país/cultura de origem de seus membros. Mas, independente disso, me fascina ainda mais o surgimento de culturas dentro da própria cultura: os gangsteres se vestem de forma diferente, andam de forma diferente, falam de forma diferente. “Boyz n the Hood”, “American Me”, “Donnie Brasco” e “New Jack City” são alguns filmes que ilustram muito bem o que estou dizendo. As fotos a seguir, todas da já citada edição da Ebony Magazine, mostra o cotidiano das gangues de Chicago.

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Os líderes da gangue Mighty Blackstone Rangers.

Os líderes da gangue Mighty Blackstone Rangers.

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O melhor dos últimos dias (Fevereiro 2013)

1) Libertine-Libertine Monkey: jaqueta monkey refinada e bem-estruturada. Não é a ideal pra se ir num jogo de futebol, mas que é bonita, é. A famosa “quase varsity”.

2) Tricker’s Two Tone Loafer: dispensa comentários. Belo penny loafer.

3) Baron Wells Linen Pants: aquelas coisas que, depois que a gente cresce, não pensa que pode dar certo. Calça com cordinha. Mas podem dar certo sim. Deu nesse caso, complementada por uma camisa e um bom brogue.

4) Nike Air Vortex Vintage “Poison Green”: lançado originalmente em 1985. O Air Vortex já tem uma cara bem mais moderna do que os running da Nike da década de 1970. Como esse é da linha vintage, vem com cadarços surrados de algodão e com a sola amarelada. Além dos outros materiais meticulosamente envelhecidos.

5) F.I.L. Indigo Camping Trailer SS Osiris: dá pra chamar isso de kimono? Kimono-inspired? Cardigan, mesmo?

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Dançando

Não precisa ter a extravagância do pessoal no corredor do programa Soul Train, muito menos o acrobatismo elitista do break dance. A pista é lugar pra todo mundo: dançando mal ou bem, esteja por lá.

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Rockers Style

Rockers é uma expressão que ganhou popularidade durante a década de 1970 na Jamaica. Alguns regueiros chamavam uns aos outros de “rockers” ou “reggae rocker”. O termo também é usado para definir um estilo de reggae mais agressivo, que se popularizou também na década 1970, em que o baixo ganha mais destaque e a bateria, que é o instrumento que mais caracteriza o estilo, tem uma levada bem específica. O termo “rockers” ficou mundialmente conhecido por conta do filme de 1978, que leva esse mesmo nome. Dirigido por Theodoros Bafaloukos, o filme conta com um elenco composto por vários astros do reggae. É um dos meus preferidos. Quase um documentário, pois os músicos e empresários interpretam eles mesmos. É, basicamente, um retrato da vida cotidiana dos músicos da época. Mostrava as frustrações, a falta de dinheiro, os bairros e a cultura rastafari de forma muito precisa. O elenco conta com músicos como Jacob Miller, Robbie Shakespeare, Gregory Isaacs, Burning Spear, entre outros. Não por acaso, a história gira em torno de Leroy “Horsemouth” Wallace, baterista lendário, que está na ativa desde a época do ska (Década de 1960) e é considerado o criador da levada rockers de bateria. A música “Things a Come Up To Bump” gravada no Studio One em 1969 pelo grupo The Bassies (Também creditada como “The Victors”) é uma das primeiras músicas, ou talvez a primeira, a ter essa pegada na bateria. Obviamente, foi Leroy Wallace quem gravou o instrumento. Na trama, essa figura extremamente carismática resolve comprar uma moto para fazer um dinheiro extra, e é a partir daí que a história se desenrola.

Leroy "Horsemouth" Wallace, o penúltimo da esquerda para a direita, durante a gravação do filme.

Leroy “Horsemouth” Wallace, o penúltimo da esquerda para a direita, durante a gravação do filme.

Além das formas citadas, eu também gosto de usar o termo “rockers” para definir o estilo de se vestir dos músicos de reggae da década de 1970 e 1980. E nada mais é do que a forma como eles passaram a se vestir quando se tornaram adeptos do Rastafari. Enquanto a fase do ska e rocksteady foi marcada pelo uso de ternos, a fase mais popular do reggae foi marcada por roupas mais casuais. Eu não sei explicar como esse estilo surgiu e creio que nem deve haver uma explicação real. Mas o fenômeno aconteceu de forma muito bonita. Apesar de toda a miséria que cercava a vida dos dreadlocks, eles conseguiram, com as roupas que tinham à disposição, criar um estilo totalmente diferente da forma como os outros jamaicanos se vestiam. No filme, a diferença fica explícita na cena em que Horsemouth e Dirty Harry entram na boate que toca disco music (“I-and-I will change the mood”). O que os velhos dizem é que os dreadlocks eram homens especiais e diferenciados e, por isso, deveriam vestir roupas especiais e diferenciadas.

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Capa do álbum “Red”, do grupo Black Uhuru.

Não é difícil achar exemplos desse estilo: basta procurar qualquer vídeo de qualquer banda ou artista jamaicano de reggae da época. O difícil é tentar explicar o padrão visual, por ser muito livre. Ele não é caracterizado por tipos de tecidos, cores, peças muito típicas ou qualquer coisa assim. Pode parecer estranho, mas o estilo tem mais a ver com uma certa mentalidade na hora de se vestir. Apesar da variedade de peças usadas, dá pra se destacar algumas. Os chapéus coloridos e grandes, toucas de crochê, jaquetas e camisas militares (Principalmente as mais leves), jaquetas e calças no estilo dos clássicos tracksuits Adidas, regatas estampadas ou de mesh, calças cargo, camisas típicas da década, coletes tricotados (Na maior parte das vezes usados sem nada por baixo), chukkas e wallabees Clarks, tênis running etc. Um dos visuais mais clássicos é a combinação de chapéu ou touca, camiseta regata para dentro de calças com corte reto ou mais largas (Nunca jeans), cinto de lona e camisa – sempre aberta – de mangas compridas. Um livro chamado “Rockers Style”, com fotos de pessoas que participaram ou estavam em torno da filmagem do longa-metragem, foi lançado em 2001. Mas só no Japão, infelizmente. As informações sobre esse livro vêm apenas dos pouquíssimos scans das páginas, que circulam pela internet.

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Na Inglaterra, os jamaicanos imigrantes e descendentes também adotaram o visual, mas de forma adaptada ao clima. Membros de bandas como Aswad e Steel Pulse adicionaram jaquetas bomber MA-1, jaquetas varsity, jaquetas e couro harringtons (Apesar destas também terem sido usadas na Jamaica, mas em menor frequência), casacos sheepskin, botas Dr. Martens e outras peças ao repertório dos dreadlocks. O filme “Babylon”, de 1980, mostra muito bem o estilo dos jovens ingleses. O longa tem Brinsley Forde, membro da banda Aswad, como protagonista e o ator Trevor Laird, que poucos anos antes havia interpretado o rude boy Ferdy no filme “Quadrophenia”, como um dos coadjuvantes.

Aswad, banda inglesa. Ed Motta se refere ao Aswad como "o Earth, Wind & Fire do reggae".

Aswad, banda inglesa. Ed Motta se refere ao Aswad como “o Earth, Wind & Fire do reggae”.

Nos Estados Unidos, os membros do Bad Brains e até o artista plástico Jean-Michel Basquiat eram influenciados por essa estética. Posteriormente, já na cena do rap dos anos 1990, grupos como A Tribe Called Quest e Arrested Development mostravam de forma bem clara a influência rockers em seu visual. Apesar do estilo dos artistas jamaicanos ter sido completamente influenciado pela estética do hip-hop a partir dos anos 1990, observo que, hoje, a negrada dos Estados Unidos tem absorvido muitas influências das antigas estrelas do reggae. Não só nas peças e combinações, mas principalmente na mentalidade.

A Tribe Called Quest, grupo de rap dos Estados Unidos, no início dos anos 1990.

A Tribe Called Quest, grupo de rap dos Estados Unidos, no início dos anos 1990.

A música, os temas abordados e a estética visual desses artistas jamaicanos representavam um forte rompimento com os padrões eurocêntricos. Como um querido professor meu diz: “Aquela negritude abundante do Bob Marley”. O Ubora (E eu também, obviamente) foi totalmente influenciado por essa mentalidade e estética. E fica fácil de notar após assistir ao filme “Rockers” e dar uma olhada na imagem do topo do blog.

Os dois últimos usando a regatas com camisa aberta, sendo a vermelha uma clássica regata de mesh, tão amada na Jamaica. Foto também retirada do livro "Rockers Style".

Venda de roupas, toucas e bonés. Os dois últimos usando a regatas com camisa aberta, sendo a vermelha uma clássica regata de mesh, tão amada na Jamaica. Foto também retirada do livro “Rockers Style”.

O de amarelo é uma das figuras que aparecem dançando durante o filme, na cena da loja de discos.

O de amarelo é uma das figuras que aparecem dançando na cena da loja de discos, no filme.

Kiddus-I e outros ajudando a carregar os equipamentos usados na filmagem.

Kiddus-I e outros ajudando a carregar os equipamentos usados na filmagem.

O rocker mais popular do mundo.

O rocker mais popular do mundo.

Peter Tosh, um dos meus ícones de estilo.

Peter Tosh, um dos meus ícones de estilo.

Hugh Mundell, menino-prodígio do reggae, usando Clarks.

Hugh Mundell, menino-prodígio do reggae, usando Clarks.

Mitos: regatas

Janeiro é certeza de passar muito calor. E isso se estende de janeiro até sei lá quando. O que sei é que regatas são uma maravilha. Circula um mito por aí de que regatas devem ser usadas só na praia ou por baixo de camisas. Discordo Nada mais conveniente do que usar regatas de forma casual, quando se mora num país quente. Com calça ou shorts, tênis ou sapatos, justas ou largas, acho que funcionam bem. Chicanos – ainda mais os gangsters – costumavam usar as brancas, por dentro de calças khaki largas. Coroas jamaicanos curtem as de mesh, bem apertadas (Como a usada por Jesse Boykins, na quarta foto). Também existem aquelas lindas que eram usadas pelos membros de equipes de basquete dos EUA, durante as década de 1970 e 1980. Elas não podem sofrer discriminação. Regatas são um clássico do armário badass masculino.

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Feliz natal e feliz ano novo!

Um feliz natal a todos. Felicidades a todos os visitantes desse blog, seus familiares e amigos. E um feliz ano novo, também. Com a esperança de que, um dia, o bolo será dividido de forma mais igualitária. Não para que todos os pedaços sejam iguais, mas que sejam de tamanho suficiente para saciar a fome de cada um.

O saldo desse ano foi muito bom para o blog. Fiz algumas mudanças, e para melhor. Todos os que visitaram ajudaram o Ubora. Saibam que eu realmente aprecio cada visita, cada comentário, cada indicação, cada curtida na página do blog no facebook e cada gesto de carinho. Que, em 2013, a inspiração continue aparecendo, para que eu continue a fazer boas postagens. E que vocês continuem por aqui.

Muitos abraços,

Jun Alcantara.

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