“A Nova Etiqueta das Ruas: moda negra, masculina e contemporânea”

Há alguns meses, meu amigo Márcio Macedo (Kibe) me convidou para escrevermos, em parceria, um artigo para a revista O Menelick 2º Ato. A vinda de Kibe ao Brasil (Kibe mora em Nova Iorque, onde é doutorando em sociologia) coincidiu com a vinda de Josh e Trav, do Street Etiquette. E foi esse o gancho que usamos para dar início ao texto. O artigo trata da novo estilo que os jovens negros vêm adotando nos últimos anos, como alternativa ao visual dominate que surgiu com a cultura hip hop. Fiquei em dúvida sobre a necessidade de colocar Joshua e Travis como os linha-de-frente desse fenômeno, para não parecer uma rasgação de seda desnecessária. Mas como Kibe me falou: não tem jeito – embora eles não sejam os grandes “líderes” ou pioneiros nisso -, esse fenômeno se cristalizou na figura deles. E aqui no Brasil, sem modéstia e sem a menor dúvida, o meu blog é o primeiro e maior representante. Me refiro a isso como um fenômeno pois não se trata de um estilo, movimento ou subcultura. Ao ler o artigo vocês compreenderão melhor o que quero dizer.

Escrever um artigo com um sociólogo não é fácil, embora tenha sido uma experiência bem prazerosa. Enquanto montávamos o esqueleto do artigo, Kibe me mandou algumas referências de leitura etc. Outros artigos – alguns escritos pelo próprio -, postagens em blogs, entrevistas, trechos de livros e um documentário. E várias das idéias retiradas dessa bibliografia combinavam e ajudaram a confirmar algumas idéias que eu tinha. Pode parecer birra com a cultura hip hop, mas juro que não é. Acho bem interessante e curto muita coisa que veio dela, mas, de certa maneira, eu combato o status que o hip hop (Não confundir com o rap, já que o hip hop é a cultura que tem o rap como um de seus elementos) ganhou nas últimas duas décadas.

A cultura hip hop é de grande importância para a cultura negra contemporânea e ganhou um espaço notório dentro e fora dela. O grande problema é que o hip hop começou a ser vista como a própria cultura negra, não como parte dela. Então, a estética, comportamento e mentalidade da cultura hip hop começaram a ser entendidas como a representação da autêntica cultura negra e dos negros, abafando e até ignorando boa parte do que veio antes dela. Eu morro de desgosto quando vejo Afrika Bambaataa dizendo que James Brown é hip hop, por exemplo. No artigo, eu e Kibe dissertamos sobre o aspecto estético, onde as roupas largas, bandanas e tênis da Nike tomaram conta e passaram a ser vistas como o autêntico visual negro – como se fosse possível determinar um “autêntico visual negro” -, enquanto o que não se encaixava nesse padrão era recusado. Isso é uma parte da cultura negra, não a própria. O graffiti não pode ser encarado como a autêntica arte plástica dentro da cultura, assim como break dance não pode ser encarado como a autêntica dança. Assim como o amontoado de gírias e alguns outros clichês. E, muito menos, devem encaradas como as únicas opções afrocentradas existentes dentro de um contexto urbano moderno.

O lançamento nona edição da revista aconteceu na última quinta-feira, dia 23. Pude conhecer os outros colaboradores e Nabor, o diretor da revista. Lá, tive o prazer de descobrir que era a edição especial de aniversário da revista, feita num tamanho maior que o normal. Ficarei bem feliz se vocês, visitantes do Ubora, lessem o texto (E a revista toda) e dessem suas opiniões sobre ele.

O artigo “A Nova Etiqueta das Ruas: moda negra, masculina e contemporânea” pode ser lido na íntegra em issuu.com/omenelick2ato.

Boa leitura!

4 respostas em ““A Nova Etiqueta das Ruas: moda negra, masculina e contemporânea”

  1. Eu sendo um membro atuante do hip hop brasileiro concordo completamente com a visão de vcs, e acho uma pobreza que exista a pasteurização do estilo de se vestir negro. Mesmo porque todos crescemos, e depois dos trinta, fica meio forçado vc sair todo dia vestido de “basqueteiro de 15 anos”. Acredito que o Mos Def, Talib Kwelli, e Common, conseguem traduzir esta maturidade no jeito de ser um adulto/negro/urbano sem parecer um babaca. O Andre 3000 eu já acho irregular demais (tem dia que acerta, tem dia que erra muito), quase uma Bjork. KKKKKK

  2. cara, que incrível. Venho acompanhando o blog durante um tempo, e eu já tinha adorado a intervenção com o Street Ettiquete. Achei o máximo a elaboração/realização de um artigo que trate melhor essa confusão que é feita com a cultura hip hop e seus desdobramentos/variantes na cultura negra. Muito obrigado Jun, de verdade !

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