Cree Summer e Subject To Change: rock, feminismo e negritude nos anos 90

Subject To Change - Womb Amnesia - Booklet (1-6)

Talvez você conheça o rosto de Cree Summer. Se tiver uma boa memória, vai se lembrar que ela interpretou uma das várias namoradas que Will Smith teve na série “The Fresh Prince of Bel-Air” (Um Maluco no Pedaço). Se conhecer séries americanas antigas, vai reconhece-la do sitcom “A Different World”, um spin-off de “The Cosby Show”, centrado no cotidiano dos estudantes de uma universidade afro-americana fictícia chamada Hillman College. Além de atriz, Cree Summer é uma dubladora de sucesso, com uma lista quase incontável de dublagens em desenhos animados e jogos de video game. Animaniacs, Os Anjinhos, Final Fantasy, Thundercats e Transformers, apenas para mencionar alguns.

Cree Summer é filha de Don Francks, um dublador, músico e ator canadense, que ao lado de sua esposa Lili, uma dançarina, introduziram os filhos a um estilo de vida alternativo ao american way of life, fazendo-os entrar em contato com a natureza, vivendo e conhecendo a cultura dos Cree, uma sociedade nativo-americano.

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Em 1991, Cree Summer formou a Subject To Change. A banda era composta por Cree nos vocais, Greg Bell e Tori Ruffin nas guitarras, Carl R. Young no teclado e sax, Oneida James no baixo e James Gray na bateria. Fato não muito comum, era uma banda de rock formada exclusivamente por músicos negros. E mais incomum ainda: dos seis membros, três eram mulheres. Sendo uma delas, Cree, a líder da banda. A banda durou de 1991 a 1993, ano em que foi lançado o álbum “Womb Amnesia”, o único da curta carreira do Subject To Change. Por problemas com a gravadora Capitol Records, o álbum nunca foi lançado em larga escala e divulgado, sendo raras as cópias encontradas para a venda em lojas especializadas.

As letras do álbum são socialmente engajadas, como o Living Colour fazia na época, tratando de temas pouco retratados dentro do rock: negritude, libertação feminina, críticas ao status quo, desigualdade social etc. Sonoramente, o “Womb Amnesia”, traz influências de diversas vertentes do rock, do funk e do R&B de maneira geral. Na época, o grunge estava em alta e a sonoridade de bandas como Pearl Jam e Alice In Chains influenciaram diretamente os arranjos de algumas faixas do álbum. No entanto, a banda não pode ser enquadrada na categoria grunge porque, além da variedade musical do álbum, o conteúdo das letras, a instrumentação (uso de teclados, saxofone etc) vão de encontro às características que definiam o grunge com suas temáticas depressivas, “alienadas” e com uma sonoridade crua, direta e distorções mais barulhentas. Os antigos membros do Subject To Change continuam atuando como músicos profissionais, como a baixista Oneida James que conta com um currículo repleto de atuações com grandes nomes da música como The Fugees, Ziggy Marley, A Tribe Called Quest etc.

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Já em 1999, Cree Summer deu vida ao “Street Faërie”, seu único álbum solo. Com composições mais maduras do quê na época do Subject To Change (e cantando muito melhor, também!), Cree contou com a contribuição de seu amigo de longa data Lenny Kravitz na produção musical, arranjos e gravação de diversos instrumentos (guitarra, baixo, teclados, bateria e outros), bem ao estilo de produção de seus próprios álbuns. Mas como em seu trabalho anterior, as letras continuaram a tratar de temáticas socialmente relevantes, espirituais e que provocam reflexão com temas pouco abordados. Entre eles, a menstruação feminina, amizade entre mulheres e uma crítica pesada às atitudes racistas de homens brancos que se relacionam com mulheres negras. Tori Ruffin, antigo guitarrista do Subject To Change, aparece em várias faixas como compositor ao lado de Cree, assim como Van Hunt, que alguns anos depois despontaria com seu álbum homônimo de soul moderno. “Street Faërie” é um grande e subestimado álbum. Nele você encontra uma sonoridade riquíssima com ótimas composições, arranjos diferenciados, ótima execução dos instrumentos musicais e performance vocal. Tem soul, rock alternativo, heavy metal alternativo, folk rock, jazz, funk. Pra quem gosta de álbuns com uma grande variação de gêneros, “Street Faërie” vale muito a pena!

Subject To Change - Womb Amnesia - Booklet (4-6)

Pure Hell, a primeira banda punk negra

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Em 1974 e 1975 o Death gravou músicas que anteciparam a existência do punk rock, com uma identidade sonora muito madura. Punk antes do punk nascer, mas não era punk. Em 1978 e 1979, os Bad Brains já estavam tocando em clubes e construindo o que seria batizado de hardcore punk. Mas entre a obscuridade de Death e a consagração de Bad Brains, existiu uma banda chamada Pure Hell.

Como Death e Bad Brains, eram negros todos os membros do Pure Hell. Os primeiros passos foram dados em 1972, mas só dois anos depois a banda tomou forma e, de Pretty Poison, passou a se chamar Pure Hell. Na época Spider, Stinker, Chip Wreck e Lenny Still eram jovens recém-formados no ensino médio. Enquanto seus conterrâneos da Filadélfia, The Delfonics e The Stylistics, que consagravam a maciez do philly soul (sonoridade da soul music típica da Filadélfia), os caras fizeram o contrário. Mais básico e mais agressivo. Segundo Stinker, líder da banda, a agressividade era reflexo das tragédias dos anos 1960, quando líderes como Kennedy, Malcolm X e Luther King foram assassinados em público. Logo no primeiro ano da Pure Hell, 1974, se mudaram para Nova Iorque pois sabiam que lá havia o cenário ideal para se tornarem uma grande banda. Rapidamente estabeleceram contato com Johnny Thunders (guitarrista do The New York Dolls), que viu o potencial dos caras, então invadiram a cena local com tudo. Fizeram parte da primeira geração de bandas punk, ao lado dos também americanos The Dead Boys, Richard Hell & The Voidoids, entre outras.

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Sem perspectivas de crescimento em seu próprio país, a banda foi tentar a sorte na Inglaterra após ser descoberta pelo empresário Curtis Knight (o mesmo sujeito que fez os primeiros contatos e contratos de Hendrix por lá). Lá gravaram o single “These Boots Are Made For Walking”/”No Rules”, que alcançou um bom número de vendas na seção punk. A dificuldade de inserção de uma banda 100% negra somada ao marketing inconveniente de Knight acabaram atrapalhando ainda mais a trajetória do Pure Hell. Não bastando o racismo que enfrentavam – a despeito do mito que trata o punk como um espaço onde não existe discriminação – a própria propaganda dos shows os descrevia “The world’s only all-black punk band”, fazendo a banda ser analisado por um ponto de vista exótico, não puramente musical. Em 1978 conseguiram gravar o álbum “Noise Addiction”, mas por problemas com Curtis Knight, o álbum não foi lançado. Voltaram aos EUA, onde fizeram mais shows, tocando inclusive com Sid Vicious, poucas semanas antes de sua morte. Em 1980, o Pure Hell termina. Muitas histórias e poucos registros.

Em 1990, com exceção do baterista Spider, os membros do Pure Hell se reuniram e, dois anos depois, gravaram outro álbum, “The Black Box”, com produção de Lemmy (Motörhead) e antigos membros do LA Guns e Nine Inch Nails. Por coincidência, as gravações aconteceram durante os conflitos de 1992 em Los Angeles, com a população negra se revoltando contra a brutalidade policial. Mas o álbum, assim como o primeiro, não foi lançado. Alguns anos após a morte do ex-empresário Curtis Knight, os remanescentes do Pure Hell conseguiram as fitas e direitos do seu primeiro disco, “Noise Addiction”, de 1978. Em 2005, finalmente deram ao público o registro sonoro dessa banda lendária do punk rock.

O Pure Hell voltou oficialmente a ativa em 2012 e anda fazendo shows por aí. O “Noise Addiction” completo está disponível aqui. Apesar de “The Black Box” nunca ter sido lançado, o vocalista Stinker nos presenteou disponibilizando algumas faixas do álbum aqui.

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Cinco filmes do cinema negro que você precisa assistir

Cooley High (1975): ficção que se passa numa escola real de Chicago. Retrata os dias de um grupo de estudantes – em especial os amigos Preach e Cochise – entre a rotina escolar, a fuga da rotina escolar, festas, paixões e algumas desventuras. Apesar de ter sido filmado em meados da década de 1970, a história se passa no ano de 1964. Considerado um clássico do cinema negro, é muito interessante para quem quer conhecer a faceta cotidiana dos jovens na cultura afro-americana sessentista. Esse cotidiano comum, sem glamour, geralmente é retratado de forma bem superficial pela maior parte dos filmes, que costumam destacar sempre o lado político ou musical dos jovens da época. A trilha-sonora é inteiramente composta por clássicos da Motown da década de 1960: Stevie Wonder, Martha & The Vandellas, Diana Ross & The Supremes, Smokey Robinson & The Miracles, entre outros. Maravilhoso e merecedor do título de clássico. Dirigido por Michael Schultz.

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New Jack City (1991): já começa bem por fazer referência à fase do R&B conhecida como new jack swing, que durou do final da década de 1980 até a primeira metade da década de 1990. Outro fator interessante é que essa é a estréia de Mario Van Peebles, o filho do pioneiro diretor do black cinema Melvin Van Peebles, na direção de um filme. Não bastando isso, ainda é estrelado pelo rapper Ice-T, famoso pelo hit “Cop Killer” com sua banda Body Count, interpretando um policial pela primeira vez (Algo que se tornou comum ao longo de sua carreira como ator). Sem falar nas atuações de Wesley Snipes, Chris Rock e Allen Payne. Mas vamos à história: Nino Brown (Wesley Snipes) e sua gangue Cash Money Brothers são os maiores produtores de crack da cidade de Nova Iorque e cabe ao policial Scotty Appleton (Ice-T), trabalhando sob disfarce, ganhar a confiança dos traficantes para poder se infiltrar e tentar desmantelar suas operações. A trilha sonora obviamente é dominada pelas grandes estrelas do new jack swing e conseguiu alcançar o segundo lugar da Billboard em 1991.

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Babylon (1980): praticamente a versão inglesa do filme jamaicano Rockers (1978), tão comentado nas postagens aqui do Ubora. Assim como seu filme-irmão jamaicano, Babylon também é estrelado por um músico, o vocalista Brinsley Forde, da banda Aswad. A trama mostra o desenrolar da equipe do sound system de reggae Ital Lion Sound numa tentativa intensiva de superar o sound system rival, de Jah Shaka. Mas Jah Shaka não é ficção, se trata da figura mais importante da cultura sound system na Inglaterra, na ativa até hoje (E há mais de 40 anos). Blue, personagem de Brinsley Forde, além de sua dedicação ao Ital Lion Sound, precisa lidar com sua família, namorada, o trabalho em uma mecânica e conflitos internos. Vale a pena não só pela história, mas também pelo conhecimento do estilo de vida do povo de origem jamaicana na Inglaterra e a cultura sound system. Dirigido por Franco Rosso.

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Juice (1992): claramente inspirado em Cooley High, retratada o cotidiano de Bishop (Referência ao Preach de Cooley High), Q, Raheem e Steel, que se auto-intitulam “The Wrecking Crew”. Entre as faltas na escola e a curtição da adolescência – sempre embalados por muito rap e R&B – os jovens do bairro do Harlem acabam cometendo um crime que trará consequências drásticas para suas vidas. Estrelado por Tupac Shakur, em sua primeira grande atuação para o cinema. Considerado um dos maiores clássicos do cinema negro das últimas três décadas, não faltam referências ao Juice em seriados, músicas e no estilo negro atual. Dirigido por Ernest R. Dickerson.

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The Five Hearbeats (1991): a história do grupo fictício de soul The Five Heartbeats ao longo de três décadas. Da ascensão à queda. O roteiro é inspirado em fatos da vida e carreira musical de diversos artistas, entre eles Sam Cooke, The Temptations, James Brown e Wilson Pickett. Verdadeira aula de soul music, retrata de modo fantástico os métodos de criação musical, criação de coreografias, figurinos e performance ao vivo dos grupos da época. E isso tudo vai se adaptando conforme as transformações que a cena musical negra sofreu dos anos 1960 aos anos 1980, tempo de duração do grupo The Five Heartbeats. Mas como nem tudo é só alegria nessa carreira, o filme também retrata os problemas contratuais com gravadoras, empresários desonestos, vícios e a rotina cansativa dos artistas. Um passeio pela época. Robert Townsend além de estrelar o filme, ainda o dirige.

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Sam Cooke: 15 razões para amá-lo

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1) Seu primeiro grupo se chamava The Singing Children e era formado por Sam e seus irmãos. Na época, ele tinha apenas 9 anos de idade. O grupo acompanhava o pai, um pastor, em suas pregações por diferentes igrejas.

2) Aos 19 anos, em 1950, foi convidado a entrar no grupo gospel The Soul Stirrers como cantor principal, substituindo H. R. Harris, o cantor gospel mais importante e influente de todos os tempos.

3) Com seu talento, carisma e beleza, Sam foi responsável pela aproximação dos jovens e adolescentes da época com a música gospel. Mesmo fazendo parte de um grupo de música gospel, conseguiu o posto de sex symbol, visto que era idolatrado pelas mulheres que iam às apresentações. Fato completamente incomum.

4) A figura de Sam Cooke se tornou maior do que o grupo The Soul Stirrers. Em 1956, lançou sua primeira canção pop, chamada “Lovable”, sob o pseudônimo Dale Cook. O disfarce não funcionou muito bem, já que seu canto era único e inconfundível. Todos sabiam que Dale era Sam.

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5) Em 1957, com aprovação (Mas não contentamento) de seu pai, Sam tomou coragem para largar o grupo The Soul Stirrers e a música gospel para se tornar um artista pop. Seu primeiro single foi “You Send Me”, que alcançou a posição número um dos singles R&B para, em seguida, alcançar a posição número da Billboard.

6) “You Send Me” trouxe novos ares para o R&B, que logo viria a entrar numa nova fase e passar a ser chamado de soul music, sendo uma canção divisora de águas.

7) Sam Cooke conseguiu obter consecutivos sucessos comerciais, atingindo um público que abrangia negros e brancos, mulheres e homens, jovens e adultos. Foi o primeiro grande artista pop negro.

8) Além de visionário como cantor e compositor, Sam Cooke era um visionário como homem de negócios: foi capaz de negociar um contrato impressionante com sua gravadora, a RCA Records, se tornando o dono de suas próprias músicas. Um importante evento na história da indústria fonográfica. Também foi um dos primeiros artistas a fundar sua própria gravadora, a SAR Records, em 1961. Nela, Sam procurou expandir seus horizontes, compondo e produzindo novos e antigos grupos/artistas. Os primeiros contratados foram os membros de seu antigo grupo, The Soul Stirrers, seguido de outros artistas/grupos gospel que acompanharam Sam ao longo de sua trajetória. Sua intenção dar a oportunidade de sucesso aos amigos.

9) Ícone de estilo. Todos os artistas da soul music da época se vestiam e queriam ser como ele. Além disso, foi o primeiro a abandonar o alisamento e assumir seus cabelos crespos. Como na época Sam Cooke era o maior, todos foram no embalo e fizeram o mesmo.

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10) Era fanático por conhecimento. Possuía uma biblioteca em sua casa, com um grande acervo sobre a história afro-americana e afro-diaspórica. Tentava influenciar os artistas negros a terem mais conhecimento não só sobre sua própria história, mas sobre tudo o que acontecia pelo mundo. Dizia que, quanto mais conhecimento eles tivessem, melhores compositores seriam.

11) Em 1962, com o lançamento da canção “Bring It On Home To Me”, criou outro marco dentro da música negra e definiu a estética da soul music nos anos seguintes. Uma curiosidade: a canção tem a participação não-creditada de um certo cantor, que pode ser ouvida durante a música inteira. Esse cantor é Lou Rawls, um grande amigo de Sam Cooke (E, talvez, você o conheça por essa famosa canção).

12) Em 1963, o cantor quis gravar um álbum ao vivo num lugar pequeno, onde pudesse fazer um show diferenciado. O local escolhido foi o Harlem Square Club, um clube situado num bairro negro de Miami. Por conta do público quase exclusivamente negro, Sam pode se desprender um pouco de seu lado pop e soltar seu estilo mais agressivo de cantar, típico do gospel e do blues. Originalmente chamado de “One Night Stand”, o álbum foi vetado pela gravadora justamente pela agressividade dos vocais e da execução banda. O lançamento aconteceu apenas em 1985, quando as fitas foram redescobertas por um produtor executivo, 22 anos após sua gravação. O título foi renomeado para “Live at Harlem Square Club”. É considerado um de seus melhores álbuns e, mesmo com o gigantesco atraso de lançamento, é considerado por muitos o melhor e mais cru álbum ao vivo da história da soul music.

13) Muhammad Ali conquistou seu título mundial dos pesos-pesados em 25 de fevereiro de 1964, derrotando Sonny Liston. Na platéia, estavam presentes seus amigos Sam Cooke e Malcolm X. Logo após a vitória de Ali, Sam Cooke foi convidado pelo campeão a subir no ringue, sendo chamado por ele de “the greatest rock n’ roll singer”. Os dois ídolos mantinham uma forte relação de amizade, chegando até a gravar uma canção em parceria chamada “The Gangs All Here“, produzida (e provavelmente também composta) por Sam.

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14) Foi uma figura importante na luta pelos direitos civis. “A Change Is Gonna Come”, de 1964, é a música mais emblemática desse período. Com arranjos complexos e temática política, inspirou os que lutavam por direitos iguais e, não a toa, é trilha-sonora de dezenas de filmes e documentários que retratam a época. De um modo estranho, a canção também previu a trágica morte do próprio Sam Cooke, no mesmo ano.

15) É o artista mais influente da história da soul music e, consequentemente, um dos músicos mais influentes de todos os tempos. Definiu o som do gênero com sua incrível versatilidade e capacidade de criação. Definiu o modo como os cantores interpretariam suas canções após sua chegada, com sua técnica aprimorada e modos inovadores de cantar. Fosse em sua forma suave e elegante, em sua agressividade bluesy ou na mistura perfeita desses dois modos no mesmo fraseado. Conseguiu criar um novo jeito de compor, gravar e cantar. Jazz, blues, soul. Pop ou não. A importância de Sam Cooke é inquestionável.

Rastaman Wheel Out

Quem se lembra da minha postagem Rockers Style (Que é, por sinal, uma das melhores do Ubora)? Pois então. Eu achei que nunca veria uma manifestação atual fazendo referência a esse período, até ver esse videoclipe com cara de curta metragem do músico jamaicano Chronixx. Como já disse em postagens anteriores, esse efeito retrô é um fenômeno recente dentro da cultura afro-diaspórica. Não que, de fato, esteja rolando um revival do período setentista vivido na Jamaica, mas só de existir um bom artista que relembre esse período musicalmente e esteticamente já abre caminho para que outras pessoas conheçam, não deixando essa fase cair no esquecimento.

Quem já assistiu ao filme Rockers, de 1978, vai perceber logo de cara que o músico não quis apenas homenagear, mas fazer sua própria versão do filme. Chronixx faz as vezes de Leroy “Horsemouth” Wallace – o carismático protagonista de Rockers -, se metendo em problemas parecidos com os que ele se mete ao longo do filme. A canção tema faz parte do álbum “Dread & Terrible”, lançado em abril.

Ubora Podcast: R&B oitentista

E sai o primeiro podcast do Ubora!

Resolvi falar sobre um período musical que eu antes odiava, depois passei a amar e a odiar, mas agora amo muito mais do quê odeio (Embora ainda odeie um pouquinho): o R&B da década de 1980.  São pouco mais de 40 minutos não só de música, mas de muitos comentário feitos por mim sobre as músicas e sobre essa década intrigante. É isso!

Acessem o Podcast neste link: http://soundcloud.com/uborablog/podcast-r-b-oitentista

rick jjames

O Maranhão é a Jamaica Brasileira

Maranhão é uma terra de mistérios. Digo, mistérios para um paulistano como eu, que pensa que em São Paulo existe de tudo. Quando vi no youtube um show do Ken Boothe cantando no Maranhão fiquei desacreditado. Com o Dennis Bovell foi a mesma coisa. Ken Boothe é um cantor que está na ativa desde a década de 1960 e não é um astro idolatrado pela massa regueira “comum”. Assim como não é Dennis Bovell. Mas, no Maranhão, seus shows lotam. E esses caras sequer passaram por São Paulo. Aprendi que São Luís do Maranhão é “a capital brasileira do reggae” vendo um show da Alcione. Me intrigou mas não dei importância, nem procurei saber. Maranhenses dizem que lá é a Jamaica brasileira. Quando conhecemos um pouco dessa história fica difícil discordar.

As teorias mais prováveis apontam a chegada do reggae no Maranhão já no início da década de 1970, pouquíssimo tempo de sua criação. Alguns dizem é que os discos eram trazidos por marinheiros da Guiana Francesa, que os trocavam por outras mercadorias, mas essa é apenas uma das teorias. O fato é que o gênero tomou de assalto as ruas de São Luís e, em seguida, dominou as rádios. O povo sentiu e reconheceu a origem africana comum no som e o adotou como seu. Tão seu que nas terras maranhenses é comum dar o reggae como par, juntinho.

Um documentário de 15 minutos, gravado no ano de 1990, explica muito bem como o reggae bate no coração do povo maranhense. Assisti-lo é obrigatório: