Ubora no Facebook

Eu não sou muito chegado em tecnologia, novas coisas. Meu celular só manda sms e faz ligação. Nem câmera tem. Fui o último dos meus amigos a entrar no Facebook. E só entrei porque todos haviam abandonado o Orkut. Resisti à criação da página, amigos insistiram bastante. Reconhecendo a importância disso e, deixando a preguiça de lado, cedi. O Ubora finalmente ganhou uma página no Facebook. Agora vocês poderão acompanhar as atualizações e ter um contato mais próximo comigo e com pessoas que compartilham interesses parecidos. Curtam!

http://www.facebook.com/UboraBlog

Homens de antigamente

Um antigo mestre de capoeira, numa entrevista a um canal de televisão, foi questionado acerca das roupas que estava usando. Ele, já no alto de seus oitenta e poucos anos, respondeu um pouco exaltado: “Ora! Eu sou um mestre de capoeira. O sujeito tem que andar alinhado!”, ressaltando a palavra “alinhado”. Certamente, o velho malandro vestido à moda da velha malandragem, com seu blazer claro desestruturado, camisa e chapéu, deu a resposta que o entrevistador não esperava ouvir. Como um entusiasta das artes marciais e praticante, tenho muita admiração pela forma como os mestres costumam lidar com a questão do respeito e a manter as belas tradições antigas.

Eu gosto de como as coisas eram feitas antigamente. Muitas coisas antigas parecem muito mais modernas do que as de hoje. Em vários sentidos. Mas, falando em vestimenta e os conceitos que giram em torno dela, parece que regredimos muito em relação ao que existia na década de 1940 ou 1970, pelo menos aqui na América. Miles Davis, na década de 1950, chegou a proibir alguns de seus músicos de subirem ao palco enquanto estivessem tão mal-vestidos e desleixados (E deu algum dinheiro para que comprassem ternos decentes). Não por ser chato, mas porque o desleixo mostrava que eles não estavam dando importância uma ocasião importante. Enquanto as mulheres conseguiram avanços em vários setores sociais, os homens deixaram de lado a elegância e valores estéticos porque acham que “isso é coisa de mulher”. Como se estivessem acima disso e fossem muito bons pra precisarem se preocupar com isso, afinal, são homens.

As coisas precisam mudar. Mas é preciso conservar as boas coisas. As vezes, elas são eliminadas das nossas vidas como se fossem algo ruim, só por causa dessa busca obsessiva pela novidade, pela mudança. Como ouvinte e músico, aprendi algo importantíssimo que levo pras outras áreas da vida: a boa música supera a necessidade obsessiva por inovação. Os “guias” de moda masculina, sejam eles impressos ou online, vivem falando de modernizar, atualizar, mudar etc. Eles passam a impressão de que pra se vestir bem você precisa estar ligado em lançamentos e tendências, senão, vai acabar se tornando um desatualizado fora-de-moda. Mas, ao mesmo tempo, dizem que você deve buscar o seu estilo próprio e não ser um escravo da moda. Minha recomendação é a seguinte: não se guie por esses guias. Não há como evitar as mudanças. Até quem achou e se firmou num estilo que condiz com seus gostos e forma física – e olha que isso demora um bom tempo – está sempre retirando elementos e adicionando novas opções à sua caixa de idéias. Mas o que é fugaz, geralmente, não é bom. Observem os homens de antigamente.

Eu e meu uniforme

1) Esse é o meu uniforme clássico: camiseta branca, calça jeans ou chino, meias, sapatos e algo na cabeça.
2) Essa calça recebeu um serviço sensacional de um alfaiate, há umas semanas. Mandei consertar na cintura e quadris, o que melhorou em 100% o caimento e deixou a cintura mais alta, por consequência do melhor encaixe no corpo.
3) Minha camiseta preferida. Tem um corte diferenciado, mangas bem curtas, com encaixe perfeito nos ombros e bíceps.
4) Sapatos Dr. Martens novinhos. Trazidos de Nova Iorque pelo Lucas do Só Queria Ter Um.
5) Meias amarelas all day.
6) Estava na cidade de Londrina, de viagem.

Omar – Keep Stepping

Em 1995, os irmãos dos Estados Unidos estavam encantados com a chegada de D’Angelo, seu “Brown Sugar” e seu novo jeito de fazer o velho soul. Em 1993, antes dele, Tony! Toni! Toné! lançou o “Sons of Soul”. Mas, lá na Inglaterra, em 1991, Omar já estava fazendo algo parecido. Apesar de ter alcançado um certo sucesso em seu país de origem, Omar é um artista subestimado. Um pioneiro que, por não ter nascido nos EUA, não foi reconhecido como deveria. Mas, justamente por não ter nascido nos EUA, trazia uma estética e um sabor diferente à sua música.

Pode não parecer, mas o ícone do Ubora em sua barra de navegação é a cabeça de um homem, de costas, com as laterais do cabelo rapadas e imensos dreadlocks freeform. Esse homem é o Omar. Abaixo, o clipe de “Keep Stepping”, de 1994. Só clicar pra ver:

Apego, limite e histórias

Um armário cheio não representa muita coisa. Muitas pessoas tem o guarda-roupa lotado, mas não se vestem bem. Eu tenho a teoria de que temos que ter um limite pra quantidade de roupas que temos. Começando pelo fato de que, na minha opinião, ter uma vasta quantidade de roupas mais atrapalha seu estilo do que ajuda. É necessário vestir a peça algumas vezes para saber como ela funciona e com o quê ela funciona. Por mais que tenhamos centenas de peças, sempre vamos usar mais umas do que outras. Então, essas outras vão ser usadas poucas vezes. Peças que quase nunca escolho, seja lá qual for o motivo, têm caminho certo: pra fora do meu armário. Ou vão pra doação ou troco com algum amigo ou vendo. E faço isso com a maior tranquilidade porque, se não uso, provavelmente não tenho o menor apego a elas.

O apego vem não só pela beleza de determinada peça ou pela quantidade de vezes que usei. É pelos momentos que passei usando, o que fiz pra comprar ou em que situação comprei. Por mais que meu Nike Blazer branco esteja encostado no meu armário de calçados, não pretendo me livrar dele. Foi o primeiro tênis cano alto que comprei, isso há uns bons anos atrás, quando não se achava esse tipo de tênis em qualquer loja do Brasil. Eu procurei em muitos lugares, durante meses. Não só pra achar um modelo que me agradava, mas porque, além de me agradar, tinha que ser inteiro feito em couro sintético. Além das aventuras que passei com ele, foram muitas aventuras que passei para chegar até ele. As marcas deixadas pelo tempo e pelas situações também contam. Pingos de tinta que caíram na jaqueta jeans enquanto você ajudava um amigo a pintar alguma coisa, a marca de cigarro na manga da jaqueta militar daquela madrugada num boteco, aquele ralado no bolso de trás da calça jeans naquela tarde que você tropeçou ou o desgaste natural que só vem com o tempo. Mesmo se aquela roupa que você usou muito não tiver marca nenhuma, as histórias valem mais do que o material usado pra construir a peça. E acho que é por isso que aquela roupa comprada no brechó ou uma que você achou no armário do seu pai tem aquele gosto diferente.

Não há como determinar o número limite de roupas que alguém deve ter. É algo baseado na necessidade, frequência de uso e no amor que se tem por cada peça de roupa. Eu sei que consumir só por consumir não vale a pena. É por isso que hoje não entendo mais os sneakerheads. Eles, de forma geral, ficam super entusiasmados e compram o desejado lançamento, tênis que vira o xodó por um mês, até ser substituído por um outro lançamento. Um acúmulo de tênis que são usados por um mês e depois são usados uma vez a cada 3 anos. Estrelas da música pop norte-americana que nunca são vistas usando as mesmas peças em fotos diferente e tem a coragem de chamar isso de “swag”. Consumir só por consumir nunca é bom. Nem quando o preço vale a pena, porque não costuma valer a pena. “Em algum momento nós fomos convencidos de que não podemos comprar uma coisa boa e cara, mas podemos comprar um monte de coisa descartável e barata“, que muitas vezes não tem a menor utilidade prática. Mesmo que quase todas tenham sido produzidas em larga escala e não tenham características únicas, acredito que devemos estabelecer uma relação com cada uma de nossas peças de roupa, para que elas sejam únicas – pelo menos dentro do nosso armário.

10.Deep: Outta Bounds & Off Limits (Fall 2012 Preview)

Eu até sei o que é essa tal streetwear, só não entendo muito bem por que leva esse nome. Poucas peças das marcas que fazem parte desse universo conseguem me agradar. Mas, confesso, gostei dessa coleção da 10.Deep. Talvez seja pelo clima todo do vídeo: os gêmeos rastafari e a forma como eles se movimentam, o ambiente em que foi filmado, a edição bem legal. Mesmo que várias peças me agradem individualmente, o que mais me chamou atenção foi a forma como algumas delas foram combinadas. São peças modernas, mas sem aquela “jovialidade excessiva”, que sempre me incomoda nessa tal streetwear. Obviamente, ficar bem ou não vai depender muito mais da pessoa que está dentro das peças do que das próprias peças. Tem gente que consegue segurar o visual sem ficar tosco – caso dos gêmeos do vídeo – e tem gente que não.

Flores

Lá vem o homem da gravata florida. Meu deus do céu, que gravata mais linda! Que gravata sensacional, olha os detalhes da gravata. Que combinação de cores, que perfeição tropical. Olhe que rosa lindo, azul turquesa se desfolhando sobre os singelos cravos. E as margaridas de amores com jasmim.

Isso não é só uma gravata. Essa gravata é um relatório de harmonia de coisas belas, é um jardim suspenso dependurado no pescoço de um homem simpático e feliz. Feliz porque com aquela gravata qualquer homem feio vira príncipe. Simpático, porque com aquela gravata ele é esperado, é benchegado, é adorado em qualquer lugar.

Por onde ele passa nascem flores e amores. Com uma gravata florida, singela como essa, linda de viver. Até eu.