Rastaman Wheel Out

Quem se lembra da minha postagem Rockers Style (Que é, por sinal, uma das melhores do Ubora)? Pois então. Eu achei que nunca veria uma manifestação atual fazendo referência a esse período, até ver esse videoclipe com cara de curta metragem do músico jamaicano Chronixx. Como já disse em postagens anteriores, esse efeito retrô é um fenômeno recente dentro da cultura afro-diaspórica. Não que, de fato, esteja rolando um revival do período setentista vivido na Jamaica, mas só de existir um bom artista que relembre esse período musicalmente e esteticamente já abre caminho para que outras pessoas conheçam, não deixando essa fase cair no esquecimento.

Quem já assistiu ao filme Rockers, de 1978, vai perceber logo de cara que o músico não quis apenas homenagear, mas fazer sua própria versão do filme. Chronixx faz as vezes de Leroy “Horsemouth” Wallace – o carismático protagonista de Rockers -, se metendo em problemas parecidos com os que ele se mete ao longo do filme. A canção tema faz parte do álbum “Dread & Terrible”, lançado em abril.

O Maranhão é a Jamaica Brasileira

Maranhão é uma terra de mistérios. Digo, mistérios para um paulistano como eu, que pensa que em São Paulo existe de tudo. Quando vi no youtube um show do Ken Boothe cantando no Maranhão fiquei desacreditado. Com o Dennis Bovell foi a mesma coisa. Ken Boothe é um cantor que está na ativa desde a década de 1960 e não é um astro idolatrado pela massa regueira “comum”. Assim como não é Dennis Bovell. Mas, no Maranhão, seus shows lotam. E esses caras sequer passaram por São Paulo. Aprendi que São Luís do Maranhão é “a capital brasileira do reggae” vendo um show da Alcione. Me intrigou mas não dei importância, nem procurei saber. Maranhenses dizem que lá é a Jamaica brasileira. Quando conhecemos um pouco dessa história fica difícil discordar.

As teorias mais prováveis apontam a chegada do reggae no Maranhão já no início da década de 1970, pouquíssimo tempo de sua criação. Alguns dizem é que os discos eram trazidos por marinheiros da Guiana Francesa, que os trocavam por outras mercadorias, mas essa é apenas uma das teorias. O fato é que o gênero tomou de assalto as ruas de São Luís e, em seguida, dominou as rádios. O povo sentiu e reconheceu a origem africana comum no som e o adotou como seu. Tão seu que nas terras maranhenses é comum dar o reggae como par, juntinho.

Um documentário de 15 minutos, gravado no ano de 1990, explica muito bem como o reggae bate no coração do povo maranhense. Assisti-lo é obrigatório: